quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Homenagem póstuma a uma colaboradora do Biomol: Rosário Oliveira


Rosário Oliveira was born in Lisbon in the 19th of February 1952. She graduated in Chemical Engineering at the University of Luanda, Angola in 1975, where she lived. She returned to Portugal and started her scientific and academic carrier at the University of Minho in 1982 as an Invited Assistant Lecturer. Under the mentorship of Professor Luis Melo, Rosário pursued her doctoral studies at the University, receiving her PhD in 1991 with the thesis entitled “Fouling in aqueous suspensions: superficial interactions”. In 2003, Rosário Oliveira was promoted full Professor of the Department of Biological Engineering at the University of Minho.


Rosário made a profound contribution to the genesis of the Department of Biological Engineering (DEB) that came into being in 1993: She was the Director from 2004 to 2008. Rosário was involved in the genesis of the Master Courses in Biological Engineering and Environmental Management, being the director of these courses in 1994-1996 and 2010-2012, respectively. More recently, she was the main responsible for the creation of the PhD Program on Waste Management and Treatment. She also made highly significant contributions to the destiny of the University, being involved in important institutional functions such as the Vice Presidency of the School of Engineering.

Rosário developed her scientific research activity in the Biofilm Science and Engineering section, and was the Head of the UMinho Biofilm Group from 2001. This was focused on fundamental studies on the formation and composition of microbial biofilms and on more applied studies concerning biofilm reactors and the control of biofilms on indwelling medical devices. She developed research on solid waste treatment, with studies on waste recovery, especially by (a) aerobic biological degradation (composting) and vermicomposting and (b) anaerobic digestion for biogas and compost production, in collaboration with “Centro de Valorização de Resíduos – CVR”, an interface of the University of Minho. To her great credit, Rosário published 157 peer reviewed papers in international journals, 20 book chapters and 2 books.

Rosário taught several subjects as a lecturer in various undergraduate and graduate courses at the University of Minho. Her extensive and up-to-date knowledge, friendliness, and cheerfulness marked her career as a teacher. In her lectures, Rosário was always able to keep audiences extremely interested. She had a most helpful and close relation with her students, always knowing them by their full names (and they were over 100 each year!).

As a mentor, Rosário trained over 10 graduate students and 5 postdoctoral fellows. She always encouraged her students and researcher to think for themselves, to be creative and to work independently, whilst being available when required. She was very rigorous in the interpretation of data and the scientific discussions that she had with her students and post-doctoral fellows were always very stimulating, creative, enthusiastic and motivating. Besides she had an enormous heart, always having time to listen and give comfort and precious advices to her students and colleagues.

These attributes of Rosário were also constantly available to everyone: she had an enormous empathy, always having time to listen and give comfort to her students and colleagues if needed. She was not only teacher and a scientific mentor, but also a worthy and unforgettable friend… 
She left, but not from our hearts!

Her teaching, example, legacy, patience, wisdom, kindness and smile will guide us all as we move forward!

Sugestão do prof. Dr. Edson Holanda Teixeira

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

ARTIGO: Biotecnologia na agricultura: tendências e desafios

Elza Durham
Os conhecimentos relacionados ao setor agrícola no Brasil incluem não somente aqueles tradicionalmente usados por agricultores familiares, mas também evoluções tecnológicas. A proteção e a apropriação dessas novas tecnologias, por meio de ativos intangíveis, são passo importante da inovação e aprimora o cenário da economia do conhecimento no país.

Parcela significativa da evolução tecnológica relacionada à agricultura ocorre devido ao uso da biotecnologia. Ela esteve, até meados dos anos 1990, muito associada a pesquisas biotecnológicas das universidades. Alguns centros são citados como exemplos, como o melhoramento de café e milho realizado pelo Instituto Agronômico de Campinas na década de 1930, os trabalhos da Escola Superior de Agricultura e de grupos independentes de pesquisa em biologia molecular da UnB, a USP e a UFRJ.

Seguindo uma tendência mundial, podemos ver também, no Brasil, iniciativas multidisciplinares de ensinamento e pesquisa em biotecnologia, como a pós-graduação em desenvolvimento rural da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que tenta abarcar as interrelações entre as áreas técnicas, sociais e ambientais.

Desde o primeiro projeto genoma realizado em território brasileiro — o da Xylella fastidiosa, micro-organismo causador do amarelinho, doença comum nos laranjais paulistas, finalizado em meados do ano 2000 — há uma preocupação em associar o conhecimento biotecnológico advindo dos Projetos de Sequenciamento Genômico com a resolução de problemas agrícolas.

Não só esse, como vários outros projetos de genoma brasileiros posteriores ou ainda em desenvolvimento possuem essa preocupação, entre os quais podemos destacar o Projeto da Cana-de-Açúcar, o Projeto de Xanthomonas citrii e o Projeto da Chromobacterium violaceum. Eles decifram a sequência genética completa dos organismos vivos, proporcionando maior conhecimento a respeito das modificações genéticas que levam a determinadas doenças ou a novas formas de combater pragas.

Com um grupo de cerca de 8 mil pesquisadores em cerca de 2 mil centros de pesquisa públicos e privados na área de biotecnologia, o número supera o de empresas relacionadas ao agronegócio que se beneficiam da biotecnologia no país. Segundo dados de 2011, estima-se que existam cerca de 230 empresas relacionadas à biotecnologia, sendo que cerca de 40% delas são ligadas à agropecuária (saúde animal, meio ambiente, agricultura e bioenergia). O número deve aumentar, devido a uma mudança cultural de estímulo à inovação nas universidades e aos estímulos governamentais para a abertura de start-ups e joint ventures que envolvam a tecnologia.

A biotecnologia aplicada à agropecuária no Brasil é recente e segue tendência mundial de ser valorizada como tecnologia de ponta, de acordo com o Ministério da Agricultura. O Programa Inovagro, lançado pelo governo federal, destina R$ 2 bilhões para pesquisa e desenvolvimento de inovações tecnológicas no agronegócio que possam impulsionar a competitividade e a produtividade. Voltando-se para a inovação, o país agora passa a vislumbrar o uso da propriedade intelectual como ferramenta para agregar valor aos ativos intangíveis relacionados às inovações biotecnológicas na agricultura.

Não podemos negar que grande parte desse progresso e interesse na biotecnologia se deve ao uso de novas plantas transgênicas nas plantações locais, permitindo que haja maior produção sem aumento significativo de área plantada. Estudo da consultoria Céleres aponta que houve um crescimento no uso de biotecnologia na agricultura do Brasil de cerca de 10 vezes, nos últimos 10 anos. Temos cerca de 40 milhões de hectares plantados utilizando plantas modificadas, contra apenas cerca de 4 milhões em 2003, resultado inegavelmente benéfico ao país.

O uso de plantas transgênicas é sempre motivo de debate. Discussões sobre o tema englobam desde o nível de segurança durante o cultivo até questões sobre as consequências do consumo de plantas modificadas contendo genes de outros animais. Mas não podemos esquecer que fenômenos naturais de trocas de genes, inclusive entre animais de diferentes espécies, já existiam de forma espontânea na natureza.

Elza Durham é Analista de Patentes

Sugestão de Jorge Luis Almeida Correia

Reprodução: Correio Braziliense

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Soluços perturbadores da Ciência no Brasil


                                 
Artigo de Wanderley de Souza* publicado no Jornal do Brasil

Praticamente todos os países do chamado Primeiro Mundo, e mesmo alguns do mundo em desenvolvimento, têm investido de forma crescente na pesquisa científica e tecnológica. Tal fato se deve principalmente a um consenso, baseado em evidências sólidas, de que nos dias atuais é  praticamente impossível ocorrer desenvolvimento econômico e social sem que haja uma forte base de Ciência e Tecnologia (C&T). O Brasil tem se aliado a este pensamento, sobretudo no período entre 2003 e 2010, quando o orçamento do Ministério de Ciência e Tecnologia passou de  R$ 2,1 bilhões, em 2003, para R$ 7,5 bilhões em 2010.

Como consequência, a Ciência brasileira passou a ter maior projeção internacional e alcançou a décima terceira posição entre os países que  produzem conhecimento científico, o que é traduzido pelo número de artigos publicados em revistas internacionais. Este cenário promissor animou a comunidade científica brasileira a aumentar suas atividades e iniciar um processo de transformação do conhecimento existente em novos processos e produtos. Desse modo, surgem várias iniciativas de inovação tecnológica, que só se sustentam se a fonte primária do conhecimento, que é a atividade científica básica, continuar crescendo.

Em 2011, veio o primeiro choque negativo, com a redução significativa do orçamento de C&T, que se mantém até hoje. Podemos mesmo afirmar que a Ciência brasileira teria ido à lona se não fosse o  crescente aporte de recursos por parte dos governos estaduais, via as fundações de apoio à pesquisa científica (FAPs). As primeiras consequências desta quase paralisia do governo federal, em que pese a competência dos gestores de C&T, já podem ser notadas. Já não somos mais o décimo terceiro produtor de C&T e passamos a ocupar a décima quarta posição. Fomos ultrapassados pela Holanda. Os dados também indicam que diminuiu a taxa de crescimento do número de publicações, o que implica na possibilidade de cairmos de posição nos próximos anos. O crescimento significativo da atividade científica de países como Austrália e Índia leva a uma diminuição das chances de o Brasil estar entre os dez maiores produtores de C&T, sonho que acalentamos no passado recente.

No momento há certa perplexidade por parte da comunidade científica brasileira. Na recente reunião do conselho do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), principal fonte de financiamento à C&T pelo governo federal, apontou-se para uma recuperação dos recursos, permitindo novamente o acalento de velhos sonhos. Este otimismo que, confesso, compartilhei, cai por terra quando se observa a proposta de lei orçamentária enviada pelo governo ao Congresso Nacional. As mudanças na legislação referente aos royalties do petróleo afetaram de forma marcante o  orçamento do FNDCT, sangrando-o em cerca de 40% do seu orçamento. Para complicar ainda mais, um simples exame da proposta orçamentária indica a alocação de recursos do FNDCT, da ordem de R$ 767 milhões, para formação de recursos humanos, muito provavelmente para serem  transferidos ao CNPq visando cobrir as despesas do programa Ciência sem Fronteiras.

Cabe lembrar que este programa nunca foi um pleito da comunidade científica nem a entusiasmou, ainda que ninguém seja contra a ampliação da cooperação internacional na área científica. No entanto, ele foi anunciado como algo novo, que seria mantido com recursos novos, o que, a julgar pelas informações existentes no momento, não irá ocorrer. Uma rápida análise da proposta orçamentária não vislumbra recursos para programas importantes como o apoio aos institutos nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), ao programa de Núcleos de Excelência (Pronex) e mesmo à cooperação científica  internacional, todos fundamentais para o desenvolvimento da atividade científica no Brasil.

A diminuição dos recursos do FNDCT, devido à perda de recursos oriundos da atividade petrolífera, também afetará o programa de infraestrutura laboratorial apoiada pelo chamado Proinfra,  coordenado pela Finep. Aqui, cabe lembrar que o crescimento na produção de petróleo e a descoberta de novas fontes, como o pré-sal, ocorreram graças à intensa atividade científica nesta área, conduzida por várias instituições científicas brasileiras, aliadas ao Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes). O que assistimos é uma clara falta de visão, que compromete o futuro do país. Assim fica mais difícil  mudarmos nossa vergonhosa posição em indicadores como o PIB per capta (530), índice de desenvolvimento (850) e competitividade (560).

* Wanderley de Souza é professor titular da UFRJ e diretor do Inmetro, é membro da Academia  Brasileira de Ciências e da Academia Nacional de Medicina.

Reprodução: Jornal da Ciência


Sugestão do prof. Celso Shiniti Nagano

Ciência para o mar é vital para a soberania do país

A ciência para o mar, ao lado dos programas nuclear e espacial, são vitais para o Brasil, na avaliação do ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp.

"São áreas tecnológicas estratégicas para o desenvolvimento do país. Para se desenvolver submarinos, por exemplo, precisamos ter capacitação forte em TI [tecnologia da informação], em redes de comunicação de dados, nanotecnologia e biotecnologia. É preciso lançar mão de todas as tecnologias, pois elas se somam".

Raupp destacou algumas ações do Ministério na área das pesquisas marinhas, dentre elas a aquisição de um navio de pesquisa hidroceanográfica, em parceria com a Marinha, a Petrobras e a companhia Vale. A embarcação irá ampliar a presença da ciência brasileira no Atlântico Sul e Tropical. O navio está sendo construído na China, com previsão de que o projeto esteja concluído até o segundo semestre de 2014.

O ministro lembrou ainda que a criação do Instituto Nacional de Pesquisas Oceanográficas e Hidroviárias (Inpoh), que prevê uma série de ações de interesse nacional em áreas específicas do conhecimento, como a conservação da biodiversidade marinha, a melhoria de processos associados à pesca, aquicultura e maricultura, bioprospecção, proteção e adaptação de zonas costeiras para as mudanças climáticas, realização de estudos sobre vias fluviais, hidráulica fluvial e portuária, além de formação de recursos humanos na área de hidroceanografia.

Biodiversidade marítima

O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação da Marinha, Almirante-de-Esquadra Wilson Guerra, lembrou que os países têm voltado suas atenções para o potencial do mar em termos de recursos naturais.

Ele frisou a necessidade de unir esforços para que o país consiga controlar essa fonte de recursos minerais e biotecnológicos que podem ser explorados economicamente, como as bacias petrolíferas, as crostas cobaltíferas, as áreas ricas em manganês, níquel, cobre, titânio, platina, entre outros.


Sugestão do prof. Dr. Benildo Sousa Cavada

Acelerador de elétrons fica menor que um grão de arroz

Acelerador de elétrons fica do tamanho de um grão de arroz
Apesar de ter apenas 3 milímetros de comprimento, o chip acelera os elétrons a uma taxa 10 vezes superior à obtida com a tecnologia convencional. [Imagem: Matt Beardsley, SLAC]
Aceleradores de mesa
O LHC é o acelerador de partículas mais conhecido, um anel de 27 km de circunferência que custou vários bilhões de dólares.
Os aceleradores de elétrons costumam ser menores e mais baratos - embora "menor" e "barato" sejam termos bem relativos nesse caso.
Mas não é o caso do acelerador de elétrons construído por Edgar Peralta e Ken Soong, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.
Em um avanço que poderá miniaturizar de vez uma tecnologia largamente usada em experimentos que vão da ciência dos materiais à medicina, eles construíram um acelerador de elétrons que cabe em um chip - e um chip muito pequeno.
Como foi fabricado com lasers comerciais e técnicas de fabricação industrial de baixo custo, os pesquisadores acreditam que o "acelerador em um chip" abre o caminho para novas gerações de aceleradores "de mesa".
"Nosso objetivo último para essa estrutura é alcançar 1 bilhão de elétron-volts por metro, e já percorremos um terço do caminho em nosso primeiro experimento," disse o professor Robert Byer, um dos líderes do projeto.
Acelerador de elétrons
Os aceleradores atuais usam micro-ondas para acelerar os elétrons. O chip-acelerador usa um conceito diferente, baseado em lasers.
As partículas geralmente são aceleradas em duas etapas. Primeiro, elas são impulsionadas até quase a velocidade da luz. A partir daí, qualquer aceleração adicional aumenta a sua energia, mas não a sua velocidade - este é o maior desafio.
O acelerador em um chip entra na segunda etapa, depois que os elétrons já receberam o empurrão inicial.
Acelerador de elétrons fica do tamanho de um grão de arroz
Princípio de funcionamento do chip acelerador de elétrons. [Imagem: Edgar A. Peralta]











Ao entrar no chip, os elétrons são focalizados em um canal com 500 nanômetros de diâmetro escavado no interior de uma pastilha de vidro de óxido de silício.
O canal não é liso, mas cheio de ranhuras, nas quais a luz infravermelha emitida por um laser gera campos elétricos que interagem com os elétrons, aumentando sua energia.
Com força total, o chip pode colocar os elétrons em uma energia similar à obtida com o acelerador linear de 3,2 km da Universidade de Stanford.
Para criar um acelerador de elétrons realmente miniaturizado, contudo, os pesquisadores precisarão compactar também a primeira parte da aceleração, aquela que despeja os elétrons na entrada do chip - no momento, mesmo com um chip de 3 milímetros, a estrutura toda mediria cerca de 30 metros.
Sugestão do prof. Dr. Benildo Sousa Cavada